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Mostrando postagens com o rótulo Narrativa

Arthur C. Clarke — O Engenheiro da Narrativa Cósmica

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Clarke não escrevia ficção científica pra te mostrar naves explodindo em câmera lenta. Ele escrevia pra te fazer encarar o abismo cósmico e pensar: "Caramba… e se isso fosse real, eu ainda conseguiria dormir à noite?" Ele foi o mestre da maravilha científica e do misterioso inatingível . Seus tropos são perfeitos para RPG quando você quer que seus jogadores sintam que estão lidando com algo muito maior do que eles. Não “maior” no sentido de “dragão com mais PV”, mas maior no sentido de escala cósmica e filosófica . Vamos em frente e você vai entender. Ou não. 1. A Terceira Lei de Clarke — Magia é só tecnologia avançada "Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de magia." Trope clássico. Clarke sabia que, se você colocar um artefato alienígena avançado no caminho de um camponês medieval, aquilo vira automaticamente um artefato mágico na cabeça dele. Em RPG, isso é ouro. Um artefato que “cura ferimentos” pode ser um nanomédico autom...

RPGTober – Dia 26: Experiente

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Da Mecânica à Maestria: A Metamorfose do Mestre de Jogo Uma análise editorial sobre a evolução cognitiva e narrativa na condução de RPGs No vasto e complexo ecossistema dos Role-Playing Games, a distinção entre o neófito e o veterano raramente reside na memorização enciclopédica de tabelas ou estatísticas de monstros. A verdadeira evolução do narrador é uma jornada interna, uma mudança fundamental no foco de atenção e na arquitetura da narrativa. Ao analisarmos os compêndios essenciais da arte de mestrar, percebemos que a transição de "iniciante" para "experiente" é marcada pelo abandono do controle rígido em favor de uma gestão fluida da incerteza. A seguir, dissecamos as quatro divergências fundamentais que separam o operador de regras do verdadeiro arquiteto de mundos. 1. A Ilusão do Roteiro vs. A Engenharia de Situações O erro cardinal do Mestre iniciante é a dependência do "script". Em sua ansiedade para evitar o silêncio ou o caos, o iniciante tende ...

RPGTober – Dia 19: Tato

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  Toco, Logo Existo: 20 Descrições Táteis para Transformar suas Cenas de RPG O tato é o sentido mais subestimado nas mesas de RPG. Mestres descrevem o que se vê, o que se ouve, às vezes até o que se cheira — mas raramente o que se sente . E não falo de sentimentos, mas do toque: da textura do mundo embaixo dos dedos dos personagens. Porque é no toque que a realidade ganha corpo. É ali que o jogador sente que o mundo é vivo, perigoso e estranho. Então pegue um d20 e role. O número que sair revela uma sensação — e, junto dela, um pequeno evento que pode virar toda uma sessão de jogo. Cada resultado traz um fluff (a descrição sensorial), um crunch (a regra ou efeito em jogo) e um gancho de aventura. 1. Poeira Profana Fluff: O pó é fino demais. Ele desliza entre os dedos, mas gruda na pele como se tivesse vontade própria. Crunch: Teste de Percepção (Sabedoria, CD 15). O personagem percebe que há pegadas recentes sobre a camada de poeira, e algumas terminam... na parede. ...

RPGTober – Dia 17: Moral

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  Uma das discussões mais fascinantes em uma mesa de RPG não é sobre qual monstro é mais forte, mas sobre as escolhas difíceis. Quase sempre, acabamos esbarrando na questão da "moral". Frequentemente, confundimos duas coisas: caráter e moral. Podemos pensar no caráter como aquilo que o personagem (ou o jogador) é quando ninguém está olhando. Já a moral é, muitas vezes, o discurso que usamos para justificar as nossas ações quando alguém está olhando — ou pior, quando alguém nos pega. No RPG, é fantástico ver esse mecanismo em ação. Como mestre, o verdadeiro "click" da aventura acontece quando os jogadores começam a construir narrativas para se justificar: “Foi necessário.” “Ele mereceu.” “Eu estava apenas seguindo ordens.” Quando um jogador sente a necessidade de explicar o que fez, o mestre pode sorrir por dentro. Não é um sorriso sádico, mas de satisfação, pois é o sinal de que a aventura está viva e que a história tocou em algo real. A moral transforma-se num palc...

RPGTober – Dia 15: Caráter

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  Caráter: o Fio de Aço que Sustenta o Herói Existe algo que nenhuma ficha de personagem consegue, de fato, medir. Não o encontramos em Força, Carisma ou Vontade. Não se resume a um número, nem a um bônus. Talvez o que se aproxime mais seja a tendência e os alinhamentos em alguns sistemas como D&D. Esse algo é o caráter . Muitos jogadores debatem moral, alinhamento, o certo e o errado. Mas o caráter é mais antigo do que tudo isso. Ele é o que define seu personagem em um momento importante:  O que o seu personagem faz quando ninguém está olhando? Todos somos justos sob os olhos dos deuses e dos nossos pares. Todos somos nobres nas canções cantadas pelos bardos da taverna. Mas será isso tão verdade assim? O verdadeiro teste do caráter, porém, vem na solidão : quando não há testemunhas e a escolha se resume à própria consciência contra a conveniência. O caráter se revela no que o herói faz quando a vitória exige uma traição. Mostra-se no que o guerreiro decide quando o inimig...

Tropos Narrativos Para Criar Urgência em Aventuras de RPG

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O Tempo Está Contra Você: Como Instaurar um Senso de Urgência em Suas Mesas de RPG Por que a pressão do relógio é a alma de uma grande aventura? Engajar jogadores e mantê-los imersos na narrativa é, talvez, o maior desafio de um mestre de RPG. Mundos detalhados,combates épicos e NPC's divertidos são a base, mas tudo isso vai pelo ralo se os jogadores param diante de uma porta trancada e ficam rolando vários testes, utilizando perícias que não tem relevância nenhuma,até descobrir uma forma de abrir aquela porta. Se você imaginou a cena da comitiva do Anel diante dos Portões de Moria enquanto Gandalf tenta descobrir a palavra secreta para abrir a porta, nós estamos na mesma página (ba dum tss). Perceba como essa cena seria tediosa, se de repente, o Vigia na água não atacasse. De repente, se havia duvida se deveriam ou não entrar me Moria, a cena faz com quem não reste mais dúvidas. Isso é o senso de urgência. Esse tal senso de urgência vai muito além de cronómetros no celular. Ele su...

Decisões Críticas: Onde a Verdade dos Personagens e Jogadores é Revelada

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“O caminho define o espadachim — não a lâmina que ele maneja, nem o monstro que enfrenta, mas a escolha que faz ao decidir desembainhar a espada ou mantê-la na bainha — e por quem o faz.” Todo mestre de RPG conhece a cena: a aventura começa a fluir (depois de duas horas fazendo a ficha), o cenário começa a tomar forma (depois de uma hora na taverna), os jogadores estão imersos (e de barriga cheia, porque a pizza já chegou) e as piadas pararam, pelo menos por hora… mas algo mais profundo se faz necessário, mas você como mestre, quer algo mais profundo do que apenas os dados rolando e os monstros sendo eliminados. Talvez, você queira lançar o grupo em um desafio, cheio de incertezas e dilemas morais. Um lugar onde não existe escolha fácil. Onde o bem e o mal deixam deixam de ficar nítidos para os personagens e para os jogadores também. É nesses pontos de inflexão que as narrativas transpõem o lugar comum do jogo. A seguir, desdobra-se uma pequena lista com decisões críticas — verdadeira...