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Mostrando postagens com o rótulo Dicas de Mestre

RPGTober – Dia 31: Horror/Terror

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  Dizem que o terror é o susto e o horror é o que fica depois. E se tem algo que o RPG faz bem, é deixar as coisas ficarem depois . Mas calma, não estou dizendo que sua próxima aventura precise começar com crianças possuídas e padres girando crucifixos. O medo — seja ele o do salto na cadeira ou o da inquietação que corrói devagar — pode ser uma das ferramentas narrativas mais poderosas que um mestre tem à disposição. Terror: o medo do que pode acontecer O terror é o susto, o reflexo, o instinto. É o jump scare, a trilha sonora que sobe do nada... Quando Ridley Scott colocou o xenomorfo no espaço, em Alien, o Oitavo Passageiro , ele criou terror — não porque o monstro era visível, mas porque o público sabia que ele estava ali, em algum lugar. O horror talvez seja a cena do chestbuster nascendo (veremos isso a frente). Na mesa de RPG, o terror vive no imediato : no alçapão que range, a armadilha que dispara, o monstro que ataca do nada. Como usar o terror na sua mesa: Con...

RPGTober – Dia 29: Subversão

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  Subvertendo Expectativas: Quando o Jogador Pensa que Já Sabe o Final Há um momento em toda mesa de RPG em que o grupo parece decifrar o mistério antes da hora. Os jogadores trocam olhares, o ladino solta um “já entendi tudo” e o jogador veterano, aquele que joga de mago começa a desenhar planos complexos no guardanapo e começa a folha o livro buscando a magia ideal para frustrar o mestre. É o instante em que o Mestre sente o suor frio escorrendo: eles descobriram o plot . Mas e se isso não fosse um problema? E se, em vez de frustrar o jogo, esse fosse o sinal perfeito para subverter as expectativas ? A Estrutura do Plot — e a Arte de Quebrá-la Todo enredo de RPG começa com um esqueleto familiar. Heróis na taverna, vilarejo ameaçado, um artefato perdido, uma profecia esquecida, um escolhido e etc. Essa previsibilidade não é clichê e nem defeito — é o que cria a zona de conforto dos jogadores. Eles reconhecem o terreno e sentem que dominam o rumo da história. A partir daí, o Me...

RPGTober – Dia 19: Tato

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  Toco, Logo Existo: 20 Descrições Táteis para Transformar suas Cenas de RPG O tato é o sentido mais subestimado nas mesas de RPG. Mestres descrevem o que se vê, o que se ouve, às vezes até o que se cheira — mas raramente o que se sente . E não falo de sentimentos, mas do toque: da textura do mundo embaixo dos dedos dos personagens. Porque é no toque que a realidade ganha corpo. É ali que o jogador sente que o mundo é vivo, perigoso e estranho. Então pegue um d20 e role. O número que sair revela uma sensação — e, junto dela, um pequeno evento que pode virar toda uma sessão de jogo. Cada resultado traz um fluff (a descrição sensorial), um crunch (a regra ou efeito em jogo) e um gancho de aventura. 1. Poeira Profana Fluff: O pó é fino demais. Ele desliza entre os dedos, mas gruda na pele como se tivesse vontade própria. Crunch: Teste de Percepção (Sabedoria, CD 15). O personagem percebe que há pegadas recentes sobre a camada de poeira, e algumas terminam... na parede. ...

RPGTober – Dia 18: Misturando Temas

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  Como combinar temas absurdos e criar mundos incríveis no RPG "O poder de misturar ideias que, à primeira vista, não fazem o menor sentido juntas". É na colisão entre o improvável e o impossível que nascem os mundos mais fascinantes, as campanhas mais memoráveis e os personagens que arrancam risadas. Pense assim: cada gênero é um ingrediente. Um pouco de cyberpunk aqui, uma pitada de terror cósmico ali, e pronto — você acabou de inventar o “Lovecraft Runner 2099”. Misturar temas é uma arte. E hoje, vamos brincar de alquimistas narrativos, pegando um universo que muita gente conhece (Digimon) e misturando com o estilo de três gênios japoneses de universos bem diferentes: Junji Ito, Eiichiro Oda e Hayao Miyazaki . 1. Digimon + Junji Ito: “O Horror Digital de Shinjuku” Imagine um mundo onde os Digimon não são fofinhos — são entidades digitais corrompidas por pavor existencial . Eles não querem lutar e são forçados a isso. Eles sofrem por existirem em uma realidade difer...

RPGTober – Dia 17: Moral

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  Uma das discussões mais fascinantes em uma mesa de RPG não é sobre qual monstro é mais forte, mas sobre as escolhas difíceis. Quase sempre, acabamos esbarrando na questão da "moral". Frequentemente, confundimos duas coisas: caráter e moral. Podemos pensar no caráter como aquilo que o personagem (ou o jogador) é quando ninguém está olhando. Já a moral é, muitas vezes, o discurso que usamos para justificar as nossas ações quando alguém está olhando — ou pior, quando alguém nos pega. No RPG, é fantástico ver esse mecanismo em ação. Como mestre, o verdadeiro "click" da aventura acontece quando os jogadores começam a construir narrativas para se justificar: “Foi necessário.” “Ele mereceu.” “Eu estava apenas seguindo ordens.” Quando um jogador sente a necessidade de explicar o que fez, o mestre pode sorrir por dentro. Não é um sorriso sádico, mas de satisfação, pois é o sinal de que a aventura está viva e que a história tocou em algo real. A moral transforma-se num palc...

RPGTober – Dia 15: Caráter

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  Caráter: o Fio de Aço que Sustenta o Herói Existe algo que nenhuma ficha de personagem consegue, de fato, medir. Não o encontramos em Força, Carisma ou Vontade. Não se resume a um número, nem a um bônus. Talvez o que se aproxime mais seja a tendência e os alinhamentos em alguns sistemas como D&D. Esse algo é o caráter . Muitos jogadores debatem moral, alinhamento, o certo e o errado. Mas o caráter é mais antigo do que tudo isso. Ele é o que define seu personagem em um momento importante:  O que o seu personagem faz quando ninguém está olhando? Todos somos justos sob os olhos dos deuses e dos nossos pares. Todos somos nobres nas canções cantadas pelos bardos da taverna. Mas será isso tão verdade assim? O verdadeiro teste do caráter, porém, vem na solidão : quando não há testemunhas e a escolha se resume à própria consciência contra a conveniência. O caráter se revela no que o herói faz quando a vitória exige uma traição. Mostra-se no que o guerreiro decide quando o inimig...

RPGTober – Dia 5: Experimental

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RPG: O Jogo que Nasceu de um Experimento e Nunca Parou de Evoluir Quando você senta à mesa, lança os dados e começa a narrar uma aventura, talvez não imagine que o RPG — esse hobby que conecta  centenas (milhares?) de narradores e jogadores em histórias inesquecíveis — nasceu de um experimento. Um ato de pura curiosidade humana : a vontade de testar novas formas de brincar, contar histórias, imaginar mundos. Das Guerras de Miniaturas à Imaginação Coletiva Segundo David M. Ewalt, em Dados e Homens , a origem do RPG remonta a séculos atrás, aos antigos jogos de guerra prussianos, os Kriegsspiel . Eles eram usados para treinar táticas militares, com miniaturas e tabuleiros que simulavam campos de batalha. Décadas depois, o escritor H. G. Wells transformaria essa prática séria em diversão doméstica com o livro Pequenas Guerras , convidando adultos a empurrar soldadinhos de chumbo pelo chão da sala. Foi o primeiro passo para tirar o jogo da rigidez militar e lançá-lo no reino da imagi...

Como Tornar Sua Mesa de RPG Mais Dinâmica

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Hoje, 1º de outubro, começa o RPGTober. Como esse é meu primeiro ano participando e talvez eu não tenha entendido exatamente como funciona, vou me ater ao que eu tenho feito nesse blog nos últimos meses: trazer dicas textuais, com base em alguns livros (já mencionados em post anteriores) e experiências pessoais.  Abaixo segue a lista para aqueles que desejarem ingressar no RPGtober: #RPGTOBER #Dinâmico Nada é broxante em uma sessão de RPG do que uma aventura arrastada, cheia de pausas desnecessárias e descrições que não levam a lugar nenhum. Jogar RPG é uma experiência coletiva, e o dinamismo é a chave para que todo mundo fique envolvido, do começo ao fim da sessão. Mas como colocar isso em prática sem parecer que você está “acelerando” artificialmente o jogo? A resposta está em três pilares: preparação leve, improviso ágil e foco no que importa . Comece com impacto A primeira cena da noite deve ser como a abertura de um filme: algo que prende a atenção imediatamente. Um ataque ...