Postagens

A Regra do Legal vs. O Equilíbrio:

Imagem
Como lidar com ações criativas (e perigosas) dos jogadores A Regra do Legal. "Sim, E..." Seja fã dos personagens. Esses princípios nos incentivam a deixar os jogadores tentarem ações inteligentes, caóticas e inesperadas com seus personagens. Mas o que acontece quando a criatividade ameaça quebrar o jogo? Recentemente, o usuário saket levantou uma questão interessante no Discord do Roleplaying Tips : "No meio do combate, uma das minhas jogadoras queria criar um orbe negro e opaco ao redor da cabeça do meu vilão principal, dando a ele a condição de Cego até o próximo turno dele. Achei impressionante, mas também parece algo muito desequilibrado para se permitir durante o combate. Eu deixei ela fazer isso hoje, mas não sei se devo permitir daqui para frente. O que vocês acham?" Isso demonstra uma grande criatividade do jogador que não queremos reprimir. No entanto, como saket intuiu, permitir isso cria um precedente que pode trivializar ("nerfar") lutas f...

Arthur C. Clarke — O Engenheiro da Narrativa Cósmica

Imagem
Clarke não escrevia ficção científica pra te mostrar naves explodindo em câmera lenta. Ele escrevia pra te fazer encarar o abismo cósmico e pensar: "Caramba… e se isso fosse real, eu ainda conseguiria dormir à noite?" Ele foi o mestre da maravilha científica e do misterioso inatingível . Seus tropos são perfeitos para RPG quando você quer que seus jogadores sintam que estão lidando com algo muito maior do que eles. Não “maior” no sentido de “dragão com mais PV”, mas maior no sentido de escala cósmica e filosófica . Vamos em frente e você vai entender. Ou não. 1. A Terceira Lei de Clarke — Magia é só tecnologia avançada "Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de magia." Trope clássico. Clarke sabia que, se você colocar um artefato alienígena avançado no caminho de um camponês medieval, aquilo vira automaticamente um artefato mágico na cabeça dele. Em RPG, isso é ouro. Um artefato que “cura ferimentos” pode ser um nanomédico autom...

A Jornada do Pistoleiro

Imagem
Por Que A Torre Negra pode Inspirar a sua Campanha Definitiva Saudações, Pistoleiros e Guardiões do Nexo! Hoje, vamos desbravar uma das obras mais ambiciosas e épicas da literatura fantástica: A Torre Negra ( The Dark Tower ), a saga monumental de Stephen King. Pois, se você procura uma fonte de inspiração rica, complexa e que mistura faroeste, fantasia medieval, horror e ficção científica, pare tudo! O ka-tet de Roland Deschain é, sem dúvida, o mapa para a sua próxima grande aventura de RPG. Resenha Rápida: Um Círculo Vicioso de Destino A Torre Negra não é apenas uma série; pelo contrário, é o próprio eixo em torno do qual gira todo o multiverso de Stephen King. A história segue Roland Deschain, o último pistoleiro do Mundo Médio, em sua busca incansável e obcecada pela Torre Negra, o nexo de todos os tempos e universos. Os Pilares da Saga: O Pistoleiro ( The Gunslinger ): Começa com o minimalismo seco de um faroeste filosófico com a frase clássica "O Homem de Preto Fugiu A...

RPGTober – Dia 31: Horror/Terror

Imagem
  Dizem que o terror é o susto e o horror é o que fica depois. E se tem algo que o RPG faz bem, é deixar as coisas ficarem depois . Mas calma, não estou dizendo que sua próxima aventura precise começar com crianças possuídas e padres girando crucifixos. O medo — seja ele o do salto na cadeira ou o da inquietação que corrói devagar — pode ser uma das ferramentas narrativas mais poderosas que um mestre tem à disposição. Terror: o medo do que pode acontecer O terror é o susto, o reflexo, o instinto. É o jump scare, a trilha sonora que sobe do nada... Quando Ridley Scott colocou o xenomorfo no espaço, em Alien, o Oitavo Passageiro , ele criou terror — não porque o monstro era visível, mas porque o público sabia que ele estava ali, em algum lugar. O horror talvez seja a cena do chestbuster nascendo (veremos isso a frente). Na mesa de RPG, o terror vive no imediato : no alçapão que range, a armadilha que dispara, o monstro que ataca do nada. Como usar o terror na sua mesa: Con...

RPGTober – Dia 30: Marvel Zumbis

Imagem
  "Com grandes poderes, vem uma grande...fome?" Há uma beleza inegavelmente trágica no apocalipse zumbi, especialmente quando ele vem vestido máscara, capa e uniforme. É o momento em que vemos que os zumbis que estamos enfrentando não são meros civis, mas sim os heróis. A lendas de um universo. Foi exatamente esse o ponto que fez de Marvel Zombies uma das histórias mais marcantes da Casa das Ideias: não a carnificina pura e simples, mas sim o colapso total da esperança. É o que acontece quando o símbolo máximo do heroísmo vira predador — e a moral, aquela velha companheira de tantos personagens de RPG, se transforma subitamente em banquete. Felizmente (ou infelizmente, dependendo do ponto de vista), como todo bom mestre sabe, não precisamos de Galactus para sentir o peso do fim do mundo. Basta uma mesa, algumas fichas e uma boa dose de desespero narrativo . Por isso, hoje, vamos falar sobre como transformar a ideia central de Marvel Zombies em aventuras memoráveis de ...

RPGTober – Dia 29: Subversão

Imagem
  Subvertendo Expectativas: Quando o Jogador Pensa que Já Sabe o Final Há um momento em toda mesa de RPG em que o grupo parece decifrar o mistério antes da hora. Os jogadores trocam olhares, o ladino solta um “já entendi tudo” e o jogador veterano, aquele que joga de mago começa a desenhar planos complexos no guardanapo e começa a folha o livro buscando a magia ideal para frustrar o mestre. É o instante em que o Mestre sente o suor frio escorrendo: eles descobriram o plot . Mas e se isso não fosse um problema? E se, em vez de frustrar o jogo, esse fosse o sinal perfeito para subverter as expectativas ? A Estrutura do Plot — e a Arte de Quebrá-la Todo enredo de RPG começa com um esqueleto familiar. Heróis na taverna, vilarejo ameaçado, um artefato perdido, uma profecia esquecida, um escolhido e etc. Essa previsibilidade não é clichê e nem defeito — é o que cria a zona de conforto dos jogadores. Eles reconhecem o terreno e sentem que dominam o rumo da história. A partir daí, o Me...