Escudo do Mestre: Proteção ou Barreira? A Perspectiva de Johnn Four



"Em um TPK, eles não conseguem te ouvir..."

Usar ou não usar o escudo? Essa é a questão levantada pelo mestre Eli, da comunidade Roleplaying Tips:

"Johnn! Obrigado por esses artigos maravilhosos. Eu estava me perguntando: por que você usa ou não utiliza um escudo de mestre (DM Screen)? Estou curioso para saber sua opinião!"

Obrigado, Eli. Olha, eu parei de usar o escudo físico lá pelos anos 2000. No entanto, acredito que não exista uma "verdade universal"; você deve tomar sua própria decisão com base no que funciona na sua mesa.

Dito isso, eu utilizo uma tela de computador — e não estou tentando ser engraçadinho. Mantenho o Campaign Logger aberto como referência da campanha, além de outras ferramentas digitais, dependendo do sistema que estou mestrando.

Uma Longa Jornada Entre Telas e Escudos

Desde 1980, eu criei e usei de tudo um pouco:

  • Ainda guardo meu escudo dourado original de AD&D. Bons tempos do THAC0!

  • Cardápios de restaurante adaptados com inserções impressas.

  • Escudos oficiais de D&D de várias edições e cenários.

  • O escudo definitivo: o lendário Hackmaster Game Master's Shield.

  • Versões "low profile" feitas de papel cartão e fita adesiva.

Mas o meu favorito sempre será "A Besta", que construí no ensino médio. Era um colosso de 3 quilos, com quase meio metro de altura, feito de compensado de madeira e dobradiças de metal grossas. Naquela época, eu parafusava grampos de pastas antigas na madeira para trocar as tabelas que eu imprimia em impressoras matriciais na escola. Boas memórias... e era um escudo imbatível contra dados arremessados em mim!

Por que eu parei de usar o Escudo?

A transição não aconteceu da noite para o dia, mas vários fatores me levaram a abandonar o "paredão":

  1. Falta de Espaço: Na juventude, eu tinha mesas enormes. Depois da faculdade, o espaço se tornou um luxo, e precisei reduzir o tamanho da minha "central de comando".

  2. Fichários de Mestre: Assim que pude comprar minha própria impressora, passei a usar fichários organizados. Todas as tabelas estavam ali, ao alcance da mão, sem precisar de uma barreira vertical.

  3. Domínio das Regras: Por mestrar D&D exclusivamente durante anos, acabei decorando as tabelas e regras. As regras da casa (house rules) já estavam no sangue, pois jogávamos semanalmente.

  4. O Fator Visibilidade: Eu me cansei de ver apenas metade da mesa. Quando eu era jovem e magro, isso incomodava; hoje em dia, eu até agradeceria o pretexto para levantar e me espreguiçar, mas na época, a barreira física me afastava dos jogadores.

O Motivo Principal: O Fim das "Trapaças do Bem"

A razão número um para eu ter abandonado o escudo foi que eu parei de "ajustar" resultados e ignorar os dados (fudging).

Quando passei a rolar os dados abertamente, minha carga cognitiva diminuiu drasticamente. Eu deixo os dados caírem onde tiverem que cair. Parei de tentar forçar uma história e comecei a seguir o fluxo do jogo, respondendo às escolhas dos jogadores, às ações dos personagens e aos resultados dos encontros.

Quando as ações têm consequências reais, o engajamento dos jogadores dispara.

Nunca fui contra a morte de personagens (a menos que o sistema seja especificamente sobre outra coisa). Ao permitir que os jogadores vejam os ataques, o dano e os testes, eu parei de entrar em pânico tentando "moldar" a narrativa após o fato; agora, eu respondo ao que acontece durante a ação. É muito mais fácil mestrar assim.

Além disso, os jogadores ganham um "quebra-cabeça" gratuito: eles começam a deduzir as forças e fraquezas dos monstros ao observar minhas rolagens ao longo do tempo. Ah, e meu dado gigante que brilha em vermelho quando sai um 20 natural? Nunca falha em criar um drama instantâneo!

A Única Exceção

Ainda existe um tipo de rolagem que mantenho em segredo: testes que os personagens fazem onde quero evitar o metagame ou aumentar o suspense. Por exemplo, um teste de furtividade de um ladino em uma situação crítica. Eu rolo (ou o jogador rola para mim) e cubro o resultado com a mão. Descrevo o que está acontecendo e deixo o jogador decidir se prossegue ou não.

Conclusão: Você deve usar um escudo? Vá em frente! Experimente das duas formas — com e sem. Fique com o que te faz sentir mais confortável.

No entanto, parar de esconder e manipular rolagens foi uma das melhores mudanças de estilo que já fiz. Por isso, encorajo você a testar as rolagens abertas, independentemente da sua escolha de usar um escudo ou não.

Créditos e Referências: Este texto é uma tradução livre e adaptada do artigo original escrito por Johnn Four, publicado no portal Roleplaying Tips.

Comentários

minhas experiencias com escudo foram terriveis, eu tentava puxar a narrativa sempre para o lado dos jogadores e sempre para uma experiencia melhor mais eles sempre achavam que eu estava "tentando ganhar" e isso se da pela ideia que "RPG é um jogo" e eles tratavam como se quisessem vencer do mestre da masmorra, no caso eu que narrava, isso foi muito no inicio da minha experiencia, depois disso eu parei de usar o escudo
Acho que a maioria passa por essa fase e chega na mesma conclusão. As vezes queremos que a história se torne o mais emocionante possível e manipulamos resultados para favorecer o jogador, as vezes puxamos sardinha para o vilão e não deixar que ele seja derrotado muito fácil. É uma gangorra muito difícil de equilibrar.

Hoje em dia eu opto pelas jogadas abertas e seja o que os dados decidirem. Críticos, falhas e etc.

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