Campeão do Pássaro de Fogo
"Eu sou um paladino de Thyatis, como posso estar com medo da morte?" Este pensamento estala incessantemente em Gamesh, enquanto adentra a Grande Caverna de Sylarwy-Ciuthnach em Yume. No entanto, sua hesitação não está em encontrar a deusa do sono Neruite. Sua missão, imposta em visões transmitidas por Thyatis em pessoa, envolve a batalha de sua vida e simplesmente não pode ser ignorada - não sem Gamesh ser reduzido a cinzas.
Quanto mais penetra nos túneis pesadelescos da Grande Caverna, mais o paladino se concentra em suas visões, enxergando heróis de mundos desconhecidos que, como ele, enfrentaram seus arquivilões com sua espada, seu colosso e a chama dourada que dá vida ao universo. Um destes heróis nem nome tinha, mas era chamado em suas visões de Campeão da Justiça, pilotando um colosso vindo dos céus. Já o outro, portando uma zanbatou e uma cabeleira de penas negras, tinha por nome Korvus. Os dois parecem ser sua contraparte nestes universos, com os mesmos valores, coragem e a benção de seu pássaro coruscante.
Gamesh finalmente alcança a câmara central, notando que o chão é levemente convexo e ainda conta com uma rachadura perfeitamente reta que corta a câmara inteira de uma ponta a outra. No centro, Humbaba o observa com os olhos cintilando por trás do elmo inteiramente fechado.
Humbaba é um Antipaladino, demônio criado especialmente para trazer a derrocada de sua contraparte original - no caso, Gamesh. E então seu medo paira mais uma vez por seus pensamentos, simplesmente porque, segundo as mesmas visões que recebeu de seu patrono Thyatis, sua Morte Verdadeira pode ser atingida unicamente através de um ataque bem-sucedido de Humbaba.
- Gamesh, estava há tempos te esperando aqui em Sylarwy-Ciuthnach, aguentando a Rainha Má e suas insuportáveis Cyruthnallach. Finalmente, posso enviar sua alma para a obliteração! - o sabre de Humbaba é sacado, e uma intensa energia paradoxal emana escuridão e caos de seu fio.
- Humbaba, sua existência é uma afronta a Thyatis, mas meus votos me impedem até mesmo de eliminá-lo. Que nosso embate termine com minha vida intacta e sua existência aprisionada pela eternidade!
Ambos saltam com armas em punho, o choque do metal ecoa por todos os túneis da Grande Caverna. Movimentos épicos de ataque, defesa, contra-ataque e esquiva impressionariam o próprio Arsenal. Sabre abençoado por Tenebra e Nimb encontra a Vingadora de Thyatis empunhada por Gamesh.
Você PRECISA ser destruído, paladino do Destino! E eu tenho os recursos de Tenebra e Nimb para me ajudar a humilhar Thyatis pela eternidade, ressurreição após ressurreição! - Humbaba gargalha sadicamente, enquanto seus poderes demoníacos são utilizados contra Gamesh, que os apara com crescente dificuldade.
E então Gamesh sente. É como se ele estivesse ali, mas também em dois outros lugares ao mesmo tempo. Sua própria mente parece pensar como se fossem três, e sua própria visão mostra três cenários mesclados, onde Humbaba parece mesclado a um guerreiro de armadura negra repleta de minúsculas luzes piscantes, e a outro também com traje metálico fechado, mas uma estrutura de asas metálicas ligadas aos braços. É como se as três batalhas estivessem acontecendo ao mesmo tempo, em realidades diferentes. Três campeões amparados pela divindade rapinante de puro fulgor, enfrentando seus próprios reflexos malignos. E agora, isso se tornou vantagem.
As três mentes dos campeões pensam como uma mente coletiva, somando seus raciocínios, suas estratégias, suas motivações, e o mesmo não parece ocorrer com seus arqui-inimigos. Ao alto, parece ser um esforço de Thyatis e outros seres aviários de energia divina, em ressonância espiritual - talvez seja este esforço espiritual compartilhado que esteja mantendo os três campeões da justiça em um momento compartilhado. Hora de tirar vantagem disso, em nome do esforço de Thyatis!
Os ataques e defesas de Gamesh são agora mais fortes, rápidos, precisos, recebendo a ajuda de Korvus e do Campeão da Justiça. Até mesmo sua confiança se elevou, causando movimentos intimidados e cada vez mais defensivos de Humbaba - o que também parece ocorrer com os arqui-inimigos de seus parceiros de mente compartilhada.
E e meio a tantos ataques cada vez mais vitoriosos e defesas cada vez menos eficazes dos inimigos, um golpe final é dado, o mesmo movimento, a mesma determinação, apenas espadas de nomes diferentes: a Vingadora de Thyatis desfere o golpe derradeiro em sincronia com a Spadium Laser e a Lâmina da Fênix: um ataque em "x" através do tronco do oponente, que cai vencido.
No entanto, a verdadeira batalha final ainda estava por vir: o chão côncavo da Grande Caverna de Sylarwy-Ciuthnach se abre ao meio onde havia a rachadura, e assim revela que aqueles subterrâneos não apenas abrigam a Rainha Má e suas Cyruthnallach, mas é também a prisão do corpo físico colossal de Ballak, a deusa-demônio das mudanças, e aquilo que se abriu era nada menos que um de seus olhos.
O olho se abre por completo, afastando Gamesh para o canto da parede onde a "pálpebra-chão" se retraiu, enquanto o corpo de Humbaba está ao centro da gigantesca pupila demoníaca. Da pupila, um facho de luz esverdeada intensa toma o corpo morto, no que Gamesh pode apenas observar.
Segundos depois, o corpo se reergue, lentamente e com movimentos macabros que mostram que aquele corpo não passa de uma marionete de Ballak. O corpo possuído de Humbaba começa a crescer ininterruptamente, tocando o teto e o rompendo, o que inicia o desmoronamento generalizado da Grande Caverna. Gamesh escapa da Grande Caverna e vê, atônico, que Humbaba está agora com o tamanho do temido Kishinauros!
As vozes ressoam novamente em sua cabeça, revelando que seus parceiros em seus próprios mundos também precisam enfrentar seus inimigos tornados colossais, na mesma estranha coincidência. E então ele escuta nomes que clamam por ajuda extra: o Campeão da Justiça grita aos céus "Gigante Guerreiro Daileon!" e Korvus aponta sua zanbatou em silêncio para o alto, pensando no nome "Modelo 57". Seus companheiros de mente coletiva têm seus próprios colossos mecânicos, mas Gamesh nunca teve algo assim, em nenhuma visão de Thyatis.
E então, se concentrando nas vozes de seus companheiros e das divindades-fênix em sincronia, ele sabe o que fazer.
"A mim, Apkallu!"
O céu noturno de Yume se torna claro por segundos, quando um portal se forma como se fosse um sol. Do portal, desce o artefato humanoide, uma versão já vista com o Kishinauros e o Colosso Coridrian: um golem mecânico colossal, este com asas mecânicas que expelem chamas ininterruptas, e uma cabeça que mescla características humanas e rapinantes. Apkallu é o colosso mecânico criado pelo próprio deus Thyatis para ser pilotado por seus paladinos em momentos de necessidade extrema, o que é o caso.
E assim se inicia a verdadeira batalha final entre Gamesh pilotando o colosso Apkallu, contra a colossal versão de Humbaba sob o domínio de Ballak, que tem o poder de transformar qualquer humanoide em uma criatura de aparência monstruosa.

Comentários