Revista Iniciativa 3D&T Alpha

 


Antes da Tokyo Defender: a Iniciativa 3D&T Alpha

A revista que veio antes da revista que conhecemos

Hoje, quando falamos em revistas digitais dedicadas ao 3D&T, é impossível não lembrar da Tokyo Defender. Ao longo de suas edições, ela se tornou um dos principais espaços independentes de produção de conteúdo para o sistema, reunindo adaptações, aventuras, regras, resenhas, contos, entrevistas e inúmeras outras formas de material produzido por fãs.

Mas a Tokyo Defender não surgiu em um vazio.

Antes dela, houve uma experiência que merece ser lembrada: a Revista Iniciativa 3D&T Alpha.

E, olhando para trás, é possível enxergá-la como uma de suas grandes predecessoras.

Tudo começou nos blogs

A história da Iniciativa 3D&T começa em 2009.

Naquele período, a produção de conteúdo para RPG na internet brasileira era fortemente descentralizada. Blogs eram pontos de encontro para mestres e jogadores, e era bastante comum encontrar adaptações, regras alternativas, personagens, aventuras e suplementos produzidos por fãs.

A proposta da Iniciativa era aproveitar justamente essa força coletiva.

A ideia original consistia em reunir diversos blogs em torno de um mesmo tema. A cada quinzena, um assunto era escolhido e os participantes produziam material para 3D&T Alpha relacionado àquele tema.

Era uma espécie de grande colaboração comunitária.

Um blog podia criar personagens.

Outro, uma aventura.

Outro, uma adaptação.

Outro, novas regras.

E, ao final, todos compartilhavam e divulgavam o trabalho uns dos outros.

A Iniciativa transformava a fragmentação dos blogs em uma vantagem: cada autor podia enxergar o 3D&T de uma maneira diferente.

De iniciativa comunitária a revista

Anos depois, essa ideia passou por uma transformação.

Em 2017, a Iniciativa 3D&T Alpha ressurgiu em um novo formato: uma revista digital bimestral. Sob a batuta de Bruno Oliveira, autor do Blog do Geração Alpha.

A mudança era significativa.

A proposta original trabalhava com vários blogs produzindo separadamente sobre um mesmo tema. A nova versão abandonava essa limitação temática e reunia os materiais em uma publicação única.

A primeira edição apresentava conteúdos como dicas para tornar os combates mais interessantes, vilões do Homem-Aranha, criação aleatória de personagens, discussões sobre habilidades, Tormenta Alpha e uma aventura de Shonen High School.

A revista também procurava contemplar diferentes partes do universo de 3D&T, incluindo Tormenta, Mega City, Brigada Ligeira Estelar, adaptações e material voltado para mestres.

Era, portanto, mais do que uma coletânea.

Era uma tentativa de criar um periódico dedicado ao 3D&T produzido pela própria comunidade.


Três edições

A experiência acabou tendo uma vida curta.

A terceira edição da Revista Iniciativa 3D&T foi publicada em 7 de março de 2017, encerrando aquele ciclo editorial depois de três números.

Mas três edições foram suficientes para demonstrar que havia espaço para uma revista digital independente dedicada ao sistema.

E talvez seja justamente aí que esteja a importância histórica da Iniciativa.

Ela mostrou que era possível passar de:

blog → artigo → material de fã

para:

autores → edição → revista → comunidade.

Essa mudança parece pequena.

Não é, pois representava uma mudança de mentalidade dos seus participantes.

E então veio a Tokyo Defender

Em 2017, surgiu outra revista digital dedicada ao 3D&T: a Tokyo Defender.

A proposta possuía muitas características em comum com aquilo que a Iniciativa havia experimentado: uma publicação independente, produzida por fãs, distribuída gratuitamente e alimentada pelo trabalho colaborativo de diversos autores.

A própria história posterior da Tokyo Defender reconhece essa relação com o período. Em material publicado pela equipe, a revista é descrita como tendo nascido de um movimento iniciado por Eric Ellison e Alberto Chechter, em um contexto de renovação da produção independente relacionada ao 3D&T.

E existe aqui uma conexão que considero particularmente importante.

A Tokyo Defender não precisa ser entendida como uma continuação oficial da Iniciativa 3D&T Alpha.

Ela é algo mais interessante:

uma herdeira de uma ideia.

A ideia de que jogadores e fãs poderiam não apenas consumir material para 3D&T, mas também produzi-lo, organizá-lo e distribuí-lo coletivamente.

A mesma chama, outra identidade

A Iniciativa e a Tokyo Defender tinham identidades próprias.

A primeira nasceu diretamente da cultura dos blogs e das iniciativas colaborativas de produção de conteúdo.

A segunda desenvolveu uma identidade editorial própria, mais próxima de uma revista de RPG tradicional, mas mantendo a produção independente e colaborativa.

Com o passar das edições, a Tokyo Defender ampliou enormemente sua proposta.

Passou a publicar adaptações de anime e videogames, aventuras, contos, artigos, entrevistas, material para diferentes versões e cenários de 3D&T e até projetos derivados.

Uma edição, por exemplo, poderia colocar lado a lado Final Fantasy Tactics, Kimetsu no Yaiba, Império de Jade, literatura brasileira e novas regras para personagens.

Esse caráter híbrido é justamente uma das grandes forças da cultura 3D&T.

O sistema nunca precisou ficar preso a um único gênero. E suas revistas também não.

Uma tradição de "fã para fã"

Existe ainda outro ponto em comum.

A Tokyo Defender se apresentou explicitamente como uma publicação gratuita e sem fins lucrativos, produzida por colaboradores e destinada aos fãs do sistema.

Essa característica ajuda a entender a continuidade histórica entre as duas experiências.

Não estamos falando simplesmente de duas revistas.

Estamos falando de uma tradição.

Uma tradição de pessoas que jogam 3D&T e decidem criar alguma coisa para que outras pessoas possam jogar também.

É uma lógica diferente daquela de uma editora tradicional.

Não é:

"O que podemos vender para os jogadores?"

É:

"O que podemos criar para a comunidade?"

A Iniciativa foi uma espécie de laboratório

Talvez seja essa a melhor maneira de enxergar a Revista Iniciativa 3D&T Alpha hoje.

Ela foi um laboratório editorial.

Experimentou uma pergunta que continuaria sendo respondida nos anos seguintes:

É possível construir uma revista de RPG a partir da colaboração de fãs?

A resposta foi sim.

A Iniciativa demonstrou isso em pequena escala.

A Tokyo Defender levou essa experiência muito mais longe.

Ao longo dos anos seguintes, a revista se consolidaria como uma publicação de referência entre os fãs de 3D&T, chegando a dezenas de edições e mantendo a proposta de produção colaborativa.

E talvez seja hora de lembrar disso

É fácil olhar para uma revista como a Tokyo Defender e enxergar apenas o produto final.

Mas existe uma história por trás dessas páginas. Antes de existir uma revista consolidada, houve blogs. e antes dos blogs, sempre houveram jogadores produzindo material.

E, entre uma coisa e outra, houve iniciativas que tentaram descobrir como transformar toda essa produção dispersa em algo coletivo.

A Iniciativa 3D&T Alpha foi uma dessas experiências fundamentais.

Ela não teve a longevidade da Tokyo Defender.

Não alcançou o mesmo número de edições.

Mas ajudou a provar que havia uma comunidade interessada em fazer mais do que jogar 3D&T. Havia gente disposta a construir em torno dele.

Uma linha do tempo

Podemos resumir essa história assim:

2009
→ Nasce a Iniciativa 3D&T, reunindo blogs em torno de temas e produção colaborativa.

2009–2010
→ A iniciativa cresce através de diferentes temas e participantes.

2017
→ A iniciativa retorna em um novo formato: a Revista Iniciativa 3D&T Alpha.

7 de março de 2017
→ É publicada a terceira e última edição da revista.

2017 em diante
→ Surge e se desenvolve a Tokyo Defender, levando adiante a ideia de uma publicação digital colaborativa dedicada ao 3D&T.

Uma história que merece ser preservada

Talvez o maior legado da Iniciativa 3D&T Alpha não esteja em nenhuma regra específica, nenhuma adaptação ou nenhuma aventura.

Está na ideia.

A ideia de que um sistema de RPG também pode ser uma plataforma para criação coletiva.

A ideia de que um jogador pode virar autor e um blog pode virar revista.

Que uma revista pode virar comunidade. E que uma comunidade pode manter vivo um jogo muito além das páginas do seu manual.

Por isso, quando falamos hoje sobre a Tokyo Defender, vale lembrar que ela faz parte de uma história maior.

Uma história que passa pelos antigos blogs de RPG, pela Iniciativa 3D&T, pela Revista Iniciativa 3D&T Alpha e por todos os autores que, ao longo dos anos, decidiram dedicar algumas páginas de seu tempo ao jogo que gostavam.

Antes dos Defensores de Tóquio, houve uma Iniciativa.

E talvez seja justamente por isso que essa história mereça ser lembrada. Para fazer o download das edições, basta clicar nas imagens das capas.  







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